Música nas Igrejas

Pergolesi – Stabat Mater e Missa a Cinco

Giovanni Battista Pergolesi (1710-1736), homenageado este ano pelos 300 anos de nascimento, nasceu em Jesi (Itália), onde iniciou os estudos musicais; prosseguiu em Nápoles, no Conservatório dei Poveri (dos pobres), onde se revelou um exímio improvisador ao violino.

Tendo vivido apenas 26 anos, o sucesso póstumo de Pergolesi é um fenômeno novo na história da música. La Serva Padrona teve 24 diferentes produções nos dez anos que se seguiram à sua estréia. A repercussão da segunda apresentação em Paris, em 1752, desencadeia a Querelle des bouffons, guerra panfletária entre os defensores da ópera séria francesa e os amantes da nova ópera bufa italiana.

Atacado pela tuberculose em 1736, Pergolesi faleceu logo após ter concluido sua obra-prima, o Stabat Mater, cujo texto descreve a tristeza da Virgem Maria aos pés do Cristo crucificado. Sobre o dueto inicial da obra disse Rousseau: “trata-se do mais perfeito e tocante dueto que já saiu da pena de um compositor”1. Editada pela primeira vez em Londres em 1749, foi a obra mais frequentemente publicada durante todo o século XVIII. O Stabat Mater inspirou ainda o grande Johann Sebastian Bach, que dela se utilizou para musicar o salmo 51.

Pergolesi, a semente do gênio mauriciano

A riqueza da música brasileira de hoje encontra suas raízes no início do século XVIII, em um Portugal fascinado pela opulência da música barroca napolitana. Desejoso de tornar-se um Luís XIV ibérico, D. João V, o avô de nosso rei, rompe com a estética da renascença espanhola, dominada pelo contraponto, e “italianiza” a corte portuguesa, importando músicos e músicas de Nápoles.

É assim que foi parar no Palácio da Ajuda em Lisboa a Missa a Cinco, inédita, de Pergolesi, escrita exclusivamente para a corte portuguesa. E dele vem a inspiração primeira de nosso músico maior do período, o Padre José Maurício, cujo opus 1 – “Tota Pulchra es Maria” – escrito aos 16 anos, não esconde a semelhança com o “Et Jesum” do Salve Regina, a derradeira obra do compositor italiano.

bene+dictus

bene+dictus

Bene+Dictus

O conjunto Bene+Dictus foi fundado em 1998 e desde então se dedica ao resgate do repertório sacro anterior ao período clássico, incluindo o canto gregoriano e a polifonia medieval. Realizou diversas primeiras audições brasileiras de obras célebres como a Missa de Barcelona, as Vésperas de Nossa Senhora, de Monteverdi, o Confitebor, de Galuppi e o Miserere, de Allegri. Em 2001, lançou o CD “Palestrina – Missa Sicut Lilium”. Em 2002, realizou turnê pelas cidades de São Paulo e Brasília, tendo seu concerto no CCBB na capital sido apresentado pela TV Senado como programa especial da noite de Natal. Em 2006, abriu as comemorações pelos 200 anos da chegada da família real portuguesa, com uma série de concertos de música da Capela Real, incluindo a primeira audição moderna do Gloria da Missa Concertada  de Marcos Portugal. O grupo foi fundado Félix Ferrà, gregorianista, produtor de música sacra da Rádio MEC FM e membro honorário da Academia Nacional de Música.

Laura Antonaz

Laura Antonaz

A soprano italiana Laura Antonaz, pela primeira vez no Brasil, é especializada na interpretação de música barroca e apresenta-se regularmente com os melhores conjuntos do gênero, como o Concerto Italiano, Accademia Bizantina e o Ensemble La Fenice. Em 1993 iniciou a carreira operística com a Flauta Mágica (Mozart), seguindo-se óperas de Cavalli, Paisiello, Jommelli, Weber, Offenbach, Gluck, e o papel de Poppea em Agrippina (Haendel). Recebeu os prêmios Pergolesi (Roma,) ‘International Lieder Competition’ (Bardolino – Itália) e da Sociedade de Ópera Bufa (Milão).

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