Projeto de concertos em igrejas faz 15 anos

Projeto de concertos em igrejas faz 15 anos
A cravista Rosana Lanzelotte já perdeu a conta de quantas pessoas tiveram seu primeiro contato com a música erudita em concertos promovidos pelo projeto Música nas Igrejas. Patrocinada pela prefeitura, a iniciativa, que leva músicos e cantores a templos da cidade do Rio, inclusive a bairros pobres, completa 15 anos em 2008 – e Rosana, sua diretora artística, é só orgulho. “As pessoas se emocionam de uma forma tão genuína que os músicos se emocionam junto. Muitos dizem: ‘Nossa, eu não sabia que era tão bonito!’“, ela conta.
Este ano, o bicentenário da chegada da família real portuguesa ao Brasil norteará a programação. A primeira apresentação, das Sonatas para Cello e Baixo Contínuo de Vivaldi – que representam a presença italiana na corte de Portugal -, será no majestoso Mosteiro de São Bento, no centro, na noite de 17 de março. O renomado Antonio Meneses levará seu violoncelo, assim como o colega David Chew, e Rosana tocará cravo e órgão.
Outros 30 concertos (todos gratuitos) já estão marcados em igrejas, conventos e colégios cariocas. Parte deles fica a muitos quilômetros de distância dos principais espaços de música clássica no Rio: o Teatro Municipal e a Sala Cecília Meireles. Datadas do século 19, algumas peças só agora estão sendo resgatadas por Rosana, por meio de pesquisas feitas em bibliotecas brasileiras e européias. “D. João VI gostava muito de música e se cercou dela em todos os momentos, pagando compositores para escreverem especialmente para determinadas ocasiões”, lembra a cravista. “A pesquisa de repertório é muito importante, porque há verdadeiras jóias, de 200 anos atrás, que ficaram esquecidas.”
Destacam-se a primeira sinfonia escrita em terras brasileiras, do austríaco Sigismund Neukomm, e o Réquiem do português Marcos Portugal, criado por ocasião da morte da rainha Maria I, em 1816. E ainda as primeiras obras inspiradas nos gêneros populares brasileiros, como o lundu e a modinha, também compostas por Neukomm (tido como o compositor que inaugurou a música de câmara por aqui). A Cia. Bachiana Brasileira e o conjunto vocal e instrumental Calíope já acertaram suas participações.
O Música nas Igrejas conseguiu, recentemente, os patrocínios da Oi e do Operador Nacional do Sistema Elétrico. O grande ganho nesses 15 anos, para Rosana, foi, sem dúvida, o de público. “Em Bangu, por exemplo, as pessoas ficam ansiosas esperando a gente chegar. Sala de concerto não tem em todo lugar, mas igreja existe em qualquer canto.”